Do lixo ao luxo: fundador da RDS Group Ambiental S/A, Renato Silva diz que construir o futuro com sustentabilidade é legado
Não há dúvidas de que a industrialização, base da civilização moderna,
trouxe inúmeros avanços e enormes benefícios para a sociedade,
possibilitando a produção de bens de consumo, inovação e evolução
da tecnologia. Ela movimenta a economia mundial, gera empregos e
cria mercados consumidores. Mas para além das vantagens, as
revoluções industriais trazem vários desafios, que podem, inclusive,
comprometer o futuro do planeta. Nos últimos anos, estudos e
calorosos debates geraram, por exemplo, questionamentos sobre a
forma como a produção e o consumo desenfreado são causadores de
um dos principais problemas ambientais atuais: a geração de lixo. Isso
porque os números são assustadores e preocupantes.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE), são produzidas anualmente mais de 460 milhões
de toneladas de plástico globalmente. Esse número dobrou entre os
anos 2000 e 2019, correspondendo atualmente a 3,4% do total global
de emissões de gases estufa.

Ainda de acordo com o levantamento da OCDE, todas as cidades do
planeta acumulam, em média, 1,3 bilhão de toneladas de resíduos
sólidos por ano, o que representa 1,2 Kg de resíduos por pessoa,
diariamente. Com o rápido crescimento populacional e urbanização,
espera-se que o acúmulo de materiais suba para 2,2 bilhões de
toneladas até 2025.
“A projeção do Banco Mundial e da ONU é que, na metade deste século,
se o ritmo atual for mantido, teremos 9 bilhões de habitantes e 4
bilhões de toneladas de lixo urbano por ano”, conta o CEO,
compartilhando ainda que o Brasil é o quarto maior produtor de
resíduos sólidos do mundo. São mais de 11 milhões de toneladas por
ano. “Mas temos um fraco desempenho no quesito de sustentabilidade
e enormes desafios na gestão dos resíduos, principalmente por ser um
país de dimensões continentais. De todo esse montante, apenas 1,28%
são destinados à reciclagem. Mas o que pode parecer, à primeira vista,
um grande problema, também pode se converter em uma bela
oportunidade de fazer a diferença”, diz.
De acordo com o empresário, é essa a proposta da RDS GROUP: fazer a
diferença. “Nossas empresas contam com estruturas físicas e
administrativas na área de engenharia e saneamento ambiental que
podem atender o Brasil inteiro, e logo outros lugares do mundo. Nossos
servidores passam por treinamentos constantes e nossas empresas por
manutenções diárias. Confiabilidade e respeito são os pilares do nosso
grupo, que busca soluções para a implementação efetiva da coleta
seletiva. Temos um compromisso com a sustentabilidade, com o meio
ambiente e com as comunidades em que atuamos”, conta.
Conscientização
O maior desafio está é a falta de informação. Grande parte da
população desconhece o consumo sustentável e o descarte
responsável de resíduos e que aliados à coleta seletiva, pode ajudar a
transformar esta realidade, uma solução que precisa ser pensada a
longo prazo e com políticas públicas de consientização ambiental.
O Brasil é referência mundial em preservação Ambiental, mas por
muito tempo pensamos apenas nas matas, em nossos rios e na nossa
biodiversidade, agora é preciso que pensemos o meio urbano e com
isso possamos aliar as boas práticas ambientais que já temos em nossas
florestas, fazendas e rios ao nosso meio urbano, para isso o
recolhimento seletivo dos resíduos é essencial.

Do lixo à riqueza
Com toda a experiência no Brasil, Renato quer levar a RDS GROUP a
outros países. O seu foco inicial é a cidade de Orlando, nos Estados
Unidos. “O problema do lixo no mundo compromete o nosso futuro. O
nosso planeta tem gritado por socorro. O ideal seria que todos
descartassem os materiais corretamente, dividindo o lixo entre comum
e reciclável. Isso possibilitaria a reciclagem de 40% dos resíduos, sendo
que os sólidos são o maior problema ambiental do mundo. Apenas
aqui no Brasil, poderia se economizar 8 bilhões de reais por ano se os
resíduos encaminhados aos lixões e aterros sanitários fossem
reciclados”, explica.
O mercado global do lixo, coleta e reciclagem movimenta 410 bilhões
de dólares por ano. “Um relatório da União Europeia estimou que a
adoção completa da legislação ideal sobre lixo traria, ao final desta
década, uma economia de 72 bilhões de euros por ano, além de um
aumento de 42 bilhões de euros no faturamento do setor e criação de
400 mil empregos. Por isso sempre digo que já percebi, há tempos, o
valor invisível do lixo, seja como uma atividade de coleta em um
negócio lucrativo, na geração de milhares de empregos ou no cuidado
com o nosso mundo”, finaliza.
Siga o Renato Silva no Instagram: @renatosilva.01